5  Mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas


Arlindo Gomes Filho1, Elildo Alves Ribeiro de Carvalho Junior2, Gerson Buss3, Marcelo Lima Reis4, Marcos de Sousa Fialho1, Rafael Suertegaray Rossato3, Ricardo Sampaio3, Richard Hatakeyama5 & Thiago Orsi Laranjeiras6

  1. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres – CEMAVE
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    BR-230 Km 10
    Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
    58108-012 Cabedelo, PB

  2. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros – CENAP
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    Estrada Municipal Hisaichi Takebayashi, 8600 - Bairro da Usina
    12952-011 Atibaia, SP

  3. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros – CPB
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    BR-230 Km 10
    Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
    58108-012 Cabedelo, PB

  4. Coordenação de Monitoramento da Biodiversidade - COMOB
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    Complexo Administrativo EQSW 103/104 s/n
    70670-350 Brasília, DF

  5. Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Tefé
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    Estr. do Aeroporto, 725 - Centro
    69550-101 Tefé, AM

  6. Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Roraima
    Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio
    Rua Alfredo Cruz, 283 - Centro  69301-140 Boa Vista, RR


Como citar: Gomes-Filho, A.; Carvalho-Jr., E. A. R.; Buss, G.; Reis, M. L.; Fialho, J. M. S.; Rossato, R. S.; Sampaio, R.; Hatakeyama, R. & Laranjeiras, T. O. Mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas. In: Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade – Programa Monitora, Subprograma Terrestre, Componente Florestal. Relatório 2014-2022. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Brasília, 2024.


Mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas são animais sensíveis à intensa pressão de caça, redução e fragmentação de habitat, e por isso são considerados bons indicadores de impactos de origem antrópica. A defaunação das florestas acarreta a chamada “síndrome da floresta vazia”, a ausência de muitas espécies de animais causada pela forte pressão humana e seus efeitos (Redford 1992).

A redução das populações animais afeta diretamente a biodiversidade e impacta negativamente a própria estrutura e sobrevivência das florestas, em razão da perda de polinizadores, dispersores de sementes e outros processos ecológicos essenciais. Populações de grandes herbívoros, por exemplo, apesar de promoverem e regularem a diversidade de plantas e a ciclagem de nutrientes, na ausência de predadores podem crescer de forma descontrolada e gerar uma paisagem de intensa herbivoria, com aumento da supressão vegetal, da predação de sementes e da mortalidade de plântulas, o que reduz a taxa de regeneração da vegetação (Pires & Galetti 2023).

O desequilíbrio na diversidade de espécies em direção a ambientes mais simples, além da redução da biodiversidade em si, pode também contribuir para surtos de doenças e até mesmo a ocorrência de futuras pandemias (Morse et al. 2012). Nesse contexto, o monitoramento desses dois grupos animais em programas como o Monitora é de fundamental importância para a saúde do meio ambiente e das pessoas.

Nesse capítulo apresentamos alguns resultados gerais do monitoramento de mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas, sistematizados até o momento pelo Programa Monitora. A taxonomia utilizada foi a mesma adotada no processo de avaliação do risco de extinção das espécies da fauna brasileira (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio 2024).


painel do relatorio


5.1 Implementação


De 2014 a 2022 o protocolo básico de amostragem de mamíferos e aves (censo diurno em transecção linear) foi aplicado em 53 UCs federais1, distribuídas nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, totalizando 140 unidades amostrais, que neste protocolo também correspondem às estaçõs amostrais (EAs). Das unidades de conservação amostradas, 33 (63%) já estão consolidadas, com pelo menos três estações amostrais em operação (Figura 5.1). Seis unidades de conservação (12%) retomaram as amostragens em 2022, sete UCs (13%) estão com atividades do Monitora interrompidas (há mais de dois anos consecutivos sem amostragem) e duas (4%) não coletaram dados em 2022 (estão inoperantes).


Figura 5.1: Distribuição das unidades de conservação com amostragem de mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas no Componente Florestal do Programa Monitora – 2014 a 2022.


O esforço de amostragem nos nove anos considerados neste relatório correspondeu a 5.356 dias de campo (transecção/dia) e 25.602,55 km percorridos (Figura 5.2), resultando em 22.985 registros de mamíferos de médio e grande porte e em 12.995 de aves terrícolas cinegéticas.


Figura 5.2: Esforço por ano (linha marrom) e acumulado (linha verde) em quilômetros percorridos de 2014 a 2022 nas unidades de conservação do Programa Monitora.


O esforço por UC e por bioma é apresentado na Figura 5.2 e na Figura 5.3. Mais de 95% do esforço de amostragem ocorreu no bioma Amazônico. Isso se deve tanto ao maior número de unidades de conservação integrando o Programa Monitora nesse bioma, quanto ao esforço médio empregado em cada unidade de conservação. As unidades de conservação no Cerrado e na Mata Atlântica são menores e nem sempre comportam a rede recomendada de transecções: três estações amostrais de cinco quilômetros cada. Ademais, custear as atividades de campo nesses biomas é geralmente mais difícil, dada a maior disponibilidade de financiamento internacional para programas de monitoramento na Amazônia.


Figura 5.3: Esforço em quilômetros percorridos por unidade de conservação por bioma por ano, de 2014 a 2022.


Figura 5.4: Táxons2 registrados acumulados (linha) e número de unidades de conservação (barras verticais) com protocolo básico de mamíferos e aves executado de 2014 a 2022.


5.2 Resultados


5.2.1 Visão geral


A maioria dos registros (56%) do protocolo básico de monitoramento de mamíferos e aves correspondeu a primatas e roedores (Dasyproctidae e Sciuridae) (Figura 5.5). Esse resultado se deve, em parte, ao fato de o método ser mais eficiente na detecção desses grupos, que são predominantemente diurnos. Espécies noturnas e esquivas, como a maior parte dos carnívoros, são pouco registradas.


Figura 5.5: Representatividade das ordens de mamíferos amostradas no Programa Monitora de 2014 a 2022. As barras em verde-escuro representam o número de espécies registradas na ordem e as barras em verde-claro o número total de registros.


Dentre os mamíferos, os primatas destacaram-se como o grupo preponderante em número de registros e, exceto pelo gênero Callibella (sagui-anão), todos os demais gêneros de primatas com ocorrência no Brasil foram registrados. Setenta e duas espécies foram detectadas, sendo que 18 espécies são consideradas ameaçadas de extinção (Apêndice H). As espécies Callicebus vieirai (Plecturocebus vieirai) e Pithecia irrorata, que eram classificadas como deficientes de dados (DD), passaram a ser categorizadas como “menos preocupante” (LC) no ciclo avaliativo de 2019 (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio 2024).

Com relação às aves, 29 espécies de 13 gêneros foram registradas (Apêndice I). Durante as amostragens busca-se a identificação dos indivíduos observados em nível específico. Contudo, em algumas unidades de conservação duas, três ou mais espécies muito semelhantes de um mesmo gênero ocorrem em simpatria. Nessas situações, por segurança, esses registros são validados taxonomicamente em nível de gênero. Como exemplos, podemos citar Nothura (codornas), Penelope (jacus), Tinamus (macucos) e Crypturellus (inhambus), todos gêneros com um ou mais táxons ameaçados de extinção (Apêndice I), conforme a Portaria MMA nº 148/2022.

A maioria dos registros de aves distribui-se quase que igualmente entre as ordens Galliformes e Tinamiformes. Esse resultado se deve ao fato de o método ser eficiente na detecção desses grupos e em razão dos Gruiformes (jacamins) ocorrerem apenas no bioma Amazônico, nunca com mais de uma espécie por localidade, enquanto os Cariamiformes, com uma única espécie (Cariama cristata - seriema), são típicos de ambientes abertos e praticamente não foram avistados (Figura 5.5).

A variação nas proporções de registros no Cerrado e na Mata Atlântica ao longo dos nove anos de amostragem deve-se ao ainda pequeno número de unidades de conservação desses biomas integrando o Programa Monitora, à inconstância nas amostragens e ao pequeno esforço amostral, seja por unidade de conservação, seja por bioma (Figura 5.5).


5.2.2 Abundância relativa de mamíferos e aves por biomas


Em termos de abundância total de mamíferos e aves, o bioma Amazônico se destaca por apresentar taxas de avistamento médias mais altas (9,45 e 5,32 avistamentos/10km, respectivamente), com grande variação tanto para mamíferos (1,91 a 20,12) quanto para aves (2,60 a 10,05). No Cerrado as taxas de avistamento variaram de 1,35 a 9,83 e 0,97 a 8,10 para mamíferos e aves, respectivamente (taxas médias de 3,20 e 2,77). Já na Mata atlântica os resultados variaram de 0,63 a 7,50 mamíferos e de 0,63 a 3,32 aves avistadas a cada 10 km, com valores médios de 2,91 e 1,77 (Figura 5.6). Observamos que não foram aplicados testes formais para avaliar a existência de diferenças estatisticamente significativas nas comparações realizadas, sendo apresentada aqui apenas uma análise exploratória e descritiva, com uma interpretação baseada nos valores médios e na inspeção visual dos resultados gerados.



Figura 5.6: Taxa de avistamento média de aves e mamíferos por bioma para o período de 2014 a 2022. As linhas verticais indicam o intervalo de confiança de 95%.


5.2.3 Taxa de encontro de mamíferos e aves ao longo do tempo - geral e por bioma - 2014 a 2022


Considerando a variação da abundância relativa ao longo do tempo, na Amazônia os primeiros anos apresentam uma maior dispersão dos resultados, explicada pelo número proporcionalmente reduzido de UCs participantes e consequente menor esforço amostral na fase inicial do Programa, além de um leve decréscimo nas abundâncias em 2021 e 2022 (Figura 5.7). Para a Mata Atlântica os resultados são irregulares devido à descontinuidade de amostragem e à grande variação no esforço entre os anos. Já para o Cerrado, o padrão observado se justifica pelo fato de duas unidades, o PARNA da Serra da Bodoquena e a ESEC de Pirapitinga, serem distintas das demais, com matriz florestal e, consequentemente, com maior taxa de avistamento.



Figura 5.7: Variação anual na taxa de avistamento média de mamíferos e aves de 2014 a 2022 (geral e por bioma). As linhas verticais indicam o intervalo de confiança de 95% e as linhas horizontais representam a taxa de avistamento média para cada grupo considerando-se todo o período amostral.


5.2.4 Abundância de mamíferos e aves nas unidades de conservação


Dentre as unidades de conservação com maiores taxas de avistamento totais para mamíferos destacam-se a REBIO do Uatumã, a RESEX Verde para Sempre e a ESEC da Terra do Meio (Figura 5.8). Essas três UCs também estão entre as quatro com maiores taxas totais de avistamento de aves (Figura 5.9). Contudo, a posição da RESEX Verde para Sempre deve ser considerada com cautela, visto que representa um único ano de amostragem (2022).


Figura 5.8: Taxa média de avistamento de mamíferos por unidade de conservação de 2014 a 2022. As linhas verticais indicam o intervalo de confiança de 95%.


Figura 5.9: Taxa média de avistamento de aves por unidade de conservação de 2014 a 2022. As linhas verticais indicam o intervalo de confiança de 95%.


Figura 5.10: Correlação positiva entre as taxas de avistamento médias de aves e mamíferos das unidades de conservação amostradas.


Observou-se uma correlação positiva (r = 0,75; P < 0,001) entre as abundâncias (taxas médias de avistamento) de mamíferos e de aves nas unidades de conservação amostradas (Figura 5.10). Esse resultado não surpreende, visto que o impacto das pressões negativas de origem antrópica deve, em linhas gerais, afetar de forma similar esses dois grupos de vertebrados.


5.2.5 Tendências populacionais de mamíferos e aves em unidades de conservação do Programa Monitora


A análise de tendências populacionais foi realizada por meio de modelos de espaço de estados (Auger‐Méthé et al. 2021), tendo como indicador de tendência a taxa de crescimento exponencial r (Daskalova et al. 2020). Basicamente, se r > 0, a população está aumentando, se r = 0, a população está estável, e se r < 0, a população3 está diminuindo.

Para garantir a robustez das análises, somente foram incluídas populações com dados suficientes, com base nos seguintes critérios: (1) série temporal de dados ≥ 5 anos; (2) taxa de encontro média ≥ 0,5 encontros/10 km; (3) esforço amostral anual médio suficiente para atingir coeficiente de variação da taxa de encontro ≥ 0,25.

No total, 89 populações de 36 táxons de mamíferos e 72 populações de 13 táxons de aves, de 21 unidades de conservação, foram selecionadas para análise. A duração do monitoramento para essas populações variou de cinco a nove anos, com média de sete anos. A maioria das populações analisadas (91%, n = 148) permaneceu estável ao longo do monitoramento, com a taxa de crescimento r não diferindo significativamente de zero, enquanto duas populações (1,2%) apresentaram tendência significativa de aumento e 11 (6%) apresentaram tendência significativa de declínio (Figura 5.11, Tabela 5.1).


Tabela 5.1: Populações com tendências populacionais significativas de declínio ou aumento no período de monitoramento.
Unidade de Conservação Táxon Tendência
Callicebus brunneus PARNA da Serra da Cutia
Crypturellus spp. PARNA da Serra do Divisor
Dasyprocta fuliginosa PARNA da Serra do Divisor
Mico melanurus PARNA do Juruena
Tinamus spp. PARNA do Juruena
Penelope jacquacu PARNA do Mapinguari
Pithecia irrorata PARNA do Mapinguari
Myoprocta pratti RESEX Alto Tarauacá
Tinamus spp. RESEX Barreiro das Antas
Tinamus spp. RESEX do Cazumbá-Iracema
Urosciurus spadiceus RESEX do Cazumbá-Iracema
Crypturellu spp. RESEX Rio Ouro Preto
Sapajus apella RESEX Rio Ouro Preto


Figura 5.11: Taxas de crescimento estimadas para 161 populações analisadas. Os pontos representam a mediana e as barras o intervalo de confiança de 95%. Populações em verde e marrom apresentaram tendência significativa de aumento e de declínio respectivamente.


5.2.6 Variação espacial na taxa de avistamento média - mamíferos e aves conjuntamente


O tamanho das unidades de conservação do Programa Monitora varia muito entre biomas. No Cerrado e na Mata Atlântica as unidades de conservação são relativamente pequenas, com algumas dezenas de milhares de hectares, enquanto na Amazônia podem ultrapassar um milhão de hectares. Considerando-se que, nas unidades do Cerrado e Mata Atlântica, a abundância de mamíferos e de aves, expressas pelas taxas de avistamento médias, são inferiores (Figura 5.8 e Figura 5.9), é natural considerar que essas populações apresentem, em geral, uma maior vulnerabilidade demográfica comparada àquela das populações amazônicas. A distribuição espacial da taxa de avistamento média geral (considerando-se conjuntamente mamíferos e aves) é apresentada na Figura 5.12. Dentre as unidades de conservação da Amazônia aquelas localizadas entre os rios Tapajós e Xingu apresentam as maiores abundâncias, à exceção da REBIO do Uatumã, localizada ao norte do rio Amazonas, que também apresenta uma alta taxa média geral de avistamento (Figura 5.12).


Figura 5.12: Distribuição espacial das taxas médias de avistamento de mamíferos e aves (taxa geral, considerando conjuntamente os dois grupos) registradas nas unidades de conservação do Programa Monitora de 2014 a 2022.


5.2.7 Considerações sobre algumas espécies ameaçadas de extinção


Do conjunto de táxons da ordem Carnivora deste protocolo, 11 espécies ameaçadas já foram registradas ou têm sua ocorrência esperada nas 52 unidades de conservação analisadas: Atelocynus microtis (cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, VU), Chrysocyon brachyurus (lobo-guará, VU), Lycalopex vetulus (raposa-do-campo, VU), Speothos venaticus (cachorro-vinagre, VU), Herpailurus yagouaroundi (jaguarundi, VU), Leopardus colocolo (gato-palheiro, VU), L. guttulus (gato-do-mato, VU), L. tigrinus (gato-do-mato, EN), L. wiedii (gato-maracajá, VU), Panthera onca (onça-pintada, VU) e Pteronura brasiliensis (ariranha, VU). Apenas uma espécie de mamífero carnívoro ameaçada, Leopardus geoffroyi (gato-do-mato-grande, VU) não tem ocorrência esperada nas unidades amostradas. Desses táxons elencados, apenas L. vetulus, L. colocolo e L. guttulus não foram registrados no Programa Monitora, sendo que os dois primeiros são prioritariamente de ambientes abertos.

Das nove espécies ameaçadas das ordens Cetartiodactyla, Perissodactyla, Cingulata e Pilosa com ocorrência esperada nas 52 unidades de conservação analisadas, cinco foram registradas: Ozotocerus bezoarticus (veado-campeiro, VU), Tayassu pecari (queixada, VU), Priodontes maximus (tatu-canastra, VU), Tapirus terrestris (anta, VU) e Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira, VU). Não houve registros de Blastocerus dichotomus (cervo-do-pantanal, VU), Mazama nana (veado-de-mão-curta, VU), Tolypeutes tricinctus (tatu-bola, EN) e Bradypus torquatus (preguiça-de-coleira, VU).

A ausência dessas espécies pode ser decorrência do baixo esforço amostral nas unidades de conservação onde elas ocorrem. Algumas espécies possuem hábitos noturnos e são crípticas, como a preguiça-de-coleira, que ocorre na REBIO de UNA, ou seus registros podem ter sido validados apenas no nível de gênero, como Mazama nana no PARNA do Iguaçu. Além disso, espécies como o tatu-bola (ESEC da Serra Geral do Tocantins) e o cervo-do-pantanal estão mais associadas a áreas abertas. O registro do cervo no PARNA da Chapada dos Veadeiros, inclusive, pode ser um equívoco.

Para a ordem Rodentia, as espécies ameaçadas das famílias Caviidae, Ctenomyidae e Erethizontidae não são esperadas para as unidades de conservação amostradas.

Para a ordem Primates, de 20 táxons ameaçados com ocorrência esperada nas UCs amostradas, 18 foram registrados: Alouatta belzebul (guariba-de-mãos-ruivas, VU), A. discolor (guariba-de-mãos-ruivas, VU), A. guariba clamitans (bugio-ruivo, VU), Ateles belzebuth (macaco-aranha, VU), A. chamek (macaco-aranha-da-cara-preta, VU), A. marginatus (coatá-da-testa-branca, EN), Brachyteles arachnoides (muriqui-do-sul, EN), Chiropotes satanas (cuxiú-preto, CR), C. utahickae (cuxiú-marrom, VU), Lagothrix lagotricha cana (macaco-barrigudo, EN), L. lagotricha poeppigii (macaco-barrigudo, VU), Callithrix aurita (sagui-da-serra-escuro, EN), Leontopithecus chrysomelas (mico-leão-da-cara-dourada, EN), Mico rondoni (mico-de-Rondônia, VU), Cebus kaapori (cairara, CR), Saguinus niger (sagui-una, VU), Sapajus cay (macaco-prego, VU) e S. xanthosternos (macaco-prego-do-peito-amarelo, EN).

Do conjunto de aves alvo deste protocolo, 14 espécies ameaçadas têm sua ocorrência esperada nas 52 unidades de conservação analisadas: Nothura minor (codorna-mineira), Taoniscus nanus (codorna-carapé), Crypturellus zabele (zabelê), Tinamus tao (azulona), Aburria jacutinga (jacutinga) e A. cujubi (cujubi), Penelope jacucaca (jacucaca) e P. pileata (jacupiranga), Crax blumenbachii (mutum-de-bico-vermelho) e C. globulosa (mutum-de-fava), Psophia obscura (jacamim-de-costas-escuras), P. interjecta (jacamim-do-xingu), P. viridis (jacamim-de-costas-verdes) e P. dextralis (jacamim-de-costas-marrons), mais duas subespécies, a saber Penelope s. alagoensis (jacupemba) e Crax f. pinima (mutum-de-penacho ou mutum-pinima).

Desses táxons elencados, já foram registrados pelo Programa Monitora em uma ou mais unidades de conservação Aburria cujubi, Crax globulosa e as quatro espécies ameaçadas de Psophia, além da subespécie ameaçada de Penelope. Ressaltamos que Penelope jacucaca, P. pileata e Nothura minor foram ou podem ter sido registradas em campo, mas como ocorrem em simpatria com espécies semelhantes, os registros foram validados em nível de gênero. A mesma situação ocorre com Tinamus tao (VU). Na Amazônia, avistamentos de indivíduos desse gênero foram reportados para todas as unidades de conservação, mas dada a ocorrência de mais de uma espécie de Tinamus para a maioria dessas áreas esses registros foram geralmente validados em nível de gênero.

Crax globulosa (EN) foi registrado em três unidades de conservação. Considerando-se a raridade desta espécie, a falta de registros prévios em localidades próximas e o fato dos ambientes onde ocorreram as visualizações não serem aqueles considerados típicos para a espécie (floresta de várzea), esses dados estão sendo considerados com cautela. Já Crax f. pinima (CR), que sabidamente ocorre na REBIO do Gurupi (Pinheiro et al. 2024), não foi observado em nenhum momento.

Taoniscus nanus (EN), uma espécie monotípica e exclusiva do Cerrado, não foi registrada.

No extremo norte da Mata Atlântica, na REBIO Guaribas, foram obtidos registros para Penelope s. alagoensis (CR). Porém, infelizmente as amostragens nessa unidade de conservação foram interrompidas. Ainda neste bioma, eventuais registros de Crypturellus zabele (VU) podem ter sido atribuídos a Crypturellus spp.(inhambus). Importante destacar a ausência de registros de A. jacutinga, que seria esperada para unidades de conservação da Mata Atlântica dada sua distribuição geográfica original.


5.2.7.1 Abundância de algumas espécies ameaçadas de mamíferos e aves


Primatas Atelídeos

Ateles marginatus (macaco-aranha-da-testa-branca) encontra-se ameaçado de extinção na categoria “Em perigo (EN)” (Brasil 2022). Essa espécie ocorre na região do arco do desmatamento, interflúvio Tapajós-Xingu, e, no período 2014–2022, registrou-se 110 avistamentos desse táxon em seis unidades de conservação do Programa Monitora: ESEC da Terra do Meio, FLONA do Tapajós, PARNA da Serra do Pardo, RESEX Renascer, RESEX Riozinho do Anfrísio e RESEX Verde para Sempre.

Ateles chamek (macaco-aranha-preto) está ameaçado de extinção na categoria “Vulnerável (VU)” (Brasil 2022), ocorrendo na região da Amazônia Ocidental. A espécie foi registrada em 15 unidades de conservação do Programa Monitora, com 638 avistamentos no período 2014-2022. Além de estar presente em um maior número de unidades de conservação do Programa, A. chamek apresentou uma maior taxa média de avistamentos por ano do que A. marginatus (Figura 5.13). A taxa de avistamento anual dessa espécie no Programa Monitora variou de 0,6 a 1,2 avistamentos/10km, corroborando estudos com taxas de avistamento de A. chamek em diferentes áreas, que variam de 0,2 avistamentos/10km (Martins 2010) a 2,2 avistamentos/10km (Borges 2014),sendo que as maiores densidades populacionais são correlacionadas com a heterogeneidade de habitat e com a ausência ou baixa intensidade de caça (Alves 2013, Konstant & Rylands 2013).



Figura 5.13: Taxas médias de avistamento estimadas por ano para duas espécies de primatas atelídeos ameaçados. Os pontos representam valores médios obtidos a partir das taxas registradas para diferentes unidades de conservação. As barras de variação para cada ano não são apresentadas para maior clareza da figura.


Outros Primatas

Os primatas Cebus kaapori e C. satanas, categorizados como Criticamente em Perigo (CR), foram registrados em uma única unidade de conservação, a REBIO do Gurupi, com apenas nove avistamentos de C. kaapori e 24 de C. satanas no período de 2014-2022. O esforço total realizado no período em relação a essas espécies foi de apenas 175km, tendo em vista que somente recentemente as três unidades amostrais do alvo mastoaves foram implementadas na REBIO do Gurupi.

Chiropotes utahickae (cuxiú-marrom) é uma espécie da família Pitheciidae que ocorre nos estados do Mato Grosso e Pará e encontra-se ameaçada de extinção na categoria Vulnerável “VU” (Brasil 2022). No Programa Monitora, essa espécie tem sido registrada na REBIO Tapirapé, sendo que de 2017 a 2022 ocorreram apenas 13 visualizações, com taxas variando de 0,2 a 0,4 avistamentos/10km (Figura 5.14).

Mico rondoni (sagui-de-rondônia) é um primata de pequeno porte, da família Callitrichidae, que foi descoberto e descrito pela ciência apenas em 2010 (Ferrari et al. 2010). Está presente apenas no estado de Rondônia e encontra-se ameaçado de extinção, na categoria Vulnerável “VU” (Brasil 2022). Está sendo monitorado em duas unidades de conservação do Programa Monitora, no PARNA de Pacaás Novos e na FLONA do Jamari. Até o momento foram registradas 40 visualizações, de 2015 a 2022, com taxas variando de 0,4 e 0,9 avistamentos/10km (Figura 5.14).


Figura 5.14: Taxas médias de avistamento estimadas por ano para os ameaçados cuxiú-marrom (Chiropotes utahickae) e sagui-de-rondônia (Mico rondoni). Os pontos representam valores médios obtidos a partir das taxas registradas para diferentes unidades de conservação. As barras de variação para cada ano não são apresentadas para maior clareza da figura.


Pilosa


As taxas de avistamento de Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira - VU) variaram pouco ao longo dos anos (Figura 5.15). Em comparação às outras espécies, sua taxa de avistamento pode ser considerada estável. Dos 51 registros, 24 ocorreram nas RESEX Tapajós-Arapiuns e do Cazumbá-Iracema e na ESEC de Maracá.


Figura 5.15: Taxas médias de avistamento estimadas por ano para a espécie ameaçada Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira). Os pontos representam valores médios obtidos a partir das taxas registradas para diferentes unidades de conservação. As barras de variação para cada ano não são apresentadas para maior clareza da figura.


Aves


Na Figura 5.16 são apresentadas variações na abundância relativa de cinco espécies de aves amazônicas ameaçadas, Aburria cujubi (cujubi - VU) e quatro espécies de Psophia (jacamins), para o conjunto de unidadeds de conservação do Programa Monitora. Aburria cujubi foi registrada em 13 unidades de conservação, Psophia viridis (jacamim-de-costas-verdes - VU) em 11, P. dextralis (jacamim-de-costas-marrons - VU) em oito, P. interjecta (jacamim-do-xingu - EN) em duas e P. obscura (jacamim-de-costas-escuras - CR) em apenas uma.

A taxa média anual de avistamento de A. cujubi nas unidades de conservação variou de 0,27 a 0,71 encontros/10km. Para as espécies ameaçadas do gênero Psophia, a abundância relativa nas unidades de conservação flutuou de 0,19 a 1,20 para P. obscura e P. interjecta, respectivamente, no ano de 2019. A despeito de se observar uma variação nas abundâncias ao longo do tempo, em parte explicada pela variação no número de unidades de conservação amostradas em cada ano, parece haver uma tendência evidente de estabilidade demográfica das populações de cada táxon para o sistema formado por 21 unidades de conservação participantes do Programa Monitora onde essas espécies são encontradas.


Figura 5.16: Taxas médias de avistamento estimadas por ano para cinco espécies de aves ameaçadas. Os pontos representam valores médios obtidos a partir das taxas registradas para diferentes unidades de conservação. As barras de variação para cada ano não são apresentadas para maior clareza da figura.


5.2.8 Média Geométrica das populações (Living Planet Index – LPI)

A média geométrica das abundâncias relativas é uma medida de escolha para monitoramento de tendências da biodiversidade em diversos programas (Buckland et al. 2005, Green et al. 2019). Esse índice reflete tendências na abundância e equitabilidade entre as populações, e não é afetado pelo ano base escolhido nem por variações inter-populacionais na detectabilidade, por ser baseado em tendências intra-populacionais (Buckland et al. 2011, Van Strien et al. 2012). Para o cálculo da média geométrica, utilizamos os dados das mesmas 161 incluídas na análise de tendências populacionais descrita anteriormente. A média geométrica e seu intervalo de confiança foram estimados por bootstrap seguindo as recomendações de Buckland et al. 2005 e Buckland et al. 2011.


5.2.8.1 Resultado da média geométrica


A média geométrica das abundâncias relativas das populações analisadas permaneceu estável ao longo do monitoramento, com o intervalo de confiança de 95% incluindo a linha de base durante todo o período (Figura 5.17). Esse resultado sugere que as UCs monitoradas têm sido efetivas para a conservação das espécies de mamíferos e aves alvos do Programa Monitora. Embora essa seja uma ótima notícia, ela deve ser interpretada em seu devido contexto, em especial considerando-se que: o protocolo foca principalmente em espécies relativamente comuns e ecologicamente flexíveis; a duração do monitoramento foi relativamente curta em relação à longevidade das espécies-alvo; e a maioria das estações amostrais foi estabelecida em áreas de referência (áreas íntegras no interior das unidades de conservação), representando cenários ideais e não necessariamente os gradientes de pressão que atuam sobre a biodiversidade na escala regional e/ou fora das unidades de conservação. Assim, a continuidade do monitoramento e o estabelecimento de estações amostrais em áreas impactadas pode elucidar melhor as tendências da biodiversidade.


Figura 5.17: Média geométrica das estimativas de abundância relativa para 161 populações monitoradas. A linha verde corresponde aos valores médios; as faixas esverdeadass sombreadas, aos intervalos de confiança de 90 e 95%.


5.2.9 Os mutuns como possíveis indicadores


Os mutuns (gêneros Crax e Pauxi) são as maiores aves florestais terrestres do bioma amazônico. Espécies de ambos os gêneros podem ser encontradas na região, muitas vezes em simpatria. Seu relativo grande tamanho e sua ampla distribuição conferem a este grupo um alto valor cinegético. Sendo assim, parece plausível supor que a frequência relativa deste grupo no total de registros de aves do Programa Monitora possa ser um indicador da intensidade de uso histórico ou atual da fauna nas unidades de conservação aqui tratadas.

Considerando que para a maioria das unidades de conservação amostradas o período de monitoramento ainda é pequeno, apresentamos aqui um exercício no sentido de avaliar este indicador (abundância de mutuns) apenas como descritor na dimensão “estado” de conservação, não sendo os resultados apresentados na perspectiva de “tendência” populacional.

Em 42 unidades de conservação amazônicas participantes do Programa Monitora, a frequência relativa dos mutuns variou de 0 a 25,4% do total de registros de aves, com um valor médio de 10% (Tabela 5.2). Duas unidades de conservação vizinhas no estado do Acre, as RESEX Alto Tarauacá e Riozinho da Liberdade, não tiveram registros. Em Rondônia, o PARNA de Pacaás Novos é a unidade com maior frequência relativa de mutuns (25,4%), resultante de registros de uma única espécie: Pauxi tuberosa. Curiosamente, esta unidade está inserida em um bloco florestal remanescente, composto também por outras unidades de conservação que apresentaram valores muito inferiores: RESEX Rio Ouro Preto (8,7%), RESEX do Rio Cautário e PARNA da Serra da Cutia (1,2%) e RESEX Barreiro das Antas (0,7%).


Tabela 5.2: Frequência relativa de mutuns no total de registros de aves das unidades de conservação do Programa Monitora na Amazônia.
Unidade de Conservação Mutuns (%)
PARNA de Pacaás Novos  25,4 
ESEC da Terra do Meio / REESEX do Rio Iriri 24,7 
ESEC de Maracá  23,8 
ESEC do Rio Acre  20,5 
PARNA Serra da Mocidade  20,2 
ESEC do Jari  17,9 
REBIO do Uatumã  17,6 
PARNA dos Campos Amazônicos  17,6 
PARNA do Juruena  16,8 
PARNA Mapinguari  16,3 
PARNA do Viruá  15,9 
REBIO do Jaru  15,1 
PARNA da Serra do Pardo  15,0 
FLONA do Jamari  14,6 
REBIO do Tapirapé  13,8 
REBIO Trombetas  12,2 
ESEC de Niquiá  11,6 
RESEX Riozinho do Anfrísio  10,9 
PARNA da Amazônia  10,3 
RESEX Verde Para Sempre  9,5 
PARNA Nascentes do Lago Jari  9,1 
RESEX Rio Ouro Preto  8,7 
RESEX Renascer  7,0 
PARNA Montanhas do Tumucumaque  6,6 
PARNA do Cabo Orange  6,4 
RESEX Tapajós-Arapiuns  6,3 
RESEX Ipaú-Anilzinho  5,6 
PARNA do Monte Roraima  5,2 
RESEX do Rio Cautário  5,0 
PARNA da Serra do Divisor  4,5 
RESEX do Lago do Capanã Grande  3,7 
FLONA do Tapajós  3,2 
REBIO Gurupi  2,4 
PARNA do Jaú  2,3 
RESEX Arapixi  2,2 
PARNA da Serra da Cutia  1,2 
RESEX Chico Mendes  0,8 
RESEX Barreiro das Antas  0,7 
RESEX do Cazumbá-Iracema  0,3 
RESEX Alto Tarauacá  0,0 
RESEX Riozinho da Liberdade  0,0 


Importante frisar que estes valores são produtos de esforços amostrais pouco uniformes entre as unidades de conservação, seja no número de transecções, seja na extensão da rede formada por essas transecções, ou ainda no seu número de repetições (amostragem), tanto anual quanto para todo o período, o que torna não recomendável a comparação entre unidades de conservação, ao menos neste momento.


5.2.10 Destaque


Duas espécies de cervídeos (Mazama americana e M. nemorivaga), categorizadas como Dados Insuficientes (DDs) no último ciclo avaliativo de espécies ameaçadas (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio 2024), ou seja, sem informações suficientes para que fosse feita uma avaliação adequada do seu estado de conservação, foram registradas pelo Programa Monitora.

Mazama americana foi observada em 37 unidades de conservação. Com exceção dos registros no PARNA do Iguaçu, na Mata Atlântica, e no PARNA da Bodoquena, no Cerrado, todos os demais ocorreram em unidades de conservação na Amazônia. Já M. nemorivaga foi registrada em 35 unidades de conservação, todas também no bioma Amazônico.


5.3 Discussão


Apesar do método de amostragem de mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas (protocolo básico) ser aplicado no período diurno, todas as espécies ameaçadas e esperadas da ordem Carnivora foram registradas ao menos uma vez, num total de 114 registros. Contudo, três espécies, Atelocynus microtis (cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas), Herpailurus yagouaroundi (jaguarundi) e Speothos venaticus (cachorro-vinagre) foram registradas menos de dez vezes e Chrysocyon brachiurus (lobo-guará), somente uma — cabendo destacar a atual baixa representatividade das unidades de conservação do Cerrado no Programa. Não obstante, duas espécies evidentemente diurnas e não ameaçadas, Eira barbara (irara) e Nasua nasua (quati), conjuntamente representaram dois terços (67%) do total de registros de Carnivora. Isso demonstra a dificuldade de amostragem de espécies noturnas e raras, em grande parte superada pela implantação do protocolo avançado, que usa armadilhas fotográficas. Dessa forma, o protocolo básico fornece informações preliminares dessa ordem, que podem ser complementadas posteriormente conforme as necessidades, a capacidade e as estratégias de gestão de cada unidade de conservação com a implantação do módulo avançado.

Assim como para a ordem Carnivora, muitas espécies noturnas e abundantes de outras ordens também foram pouco registradas, especialmente para Cingulata (tatus), Perissodactyla (antas) e Lagomorpha (tapitis). Por outro lado, espécies da ordem Cetartiodactyla (cervos e porcos-do-mato) estiveram bem representadas.

Nota

Sobre o registro de espécies exóticas e/ou invasoras, Callithrix jacchus (sagui-de-tufos-brancos), espécie típica do Nordeste brasileiro, foi registrada em unidades de conservação da Mata Atlântica da região Sudeste. Ressalta-se que a presença de cães foi registrada apenas quatro vezes e não houve registro de gatos domésticos. Esse resultado pode ser um reflexo da recomendação de não instalação das estações amostrais em locais sob influência mais direta de atividades humanas, como nas proximidades de áreas urbanas ou núcleos populacionais.


Em relação à riqueza, estudos anteriores também utilizaram transectos lineares para a amostragem de mamíferos alvos do Componente Florestal do Programa Monitora (Calouro 1999, Pontes et al. 2010, Abreu-Júnior et al. 2017). Contudo, o protocolo utilizado pelo ICMBio apresenta algumas particularidades e comparações devem ser realizadas com cautela. De forma geral, as espécies amostradas pelo Programa Monitora foram as mesmas registradas nesses estudos, exceto por algumas ausências como Bassaricyon beddardi (olingo) (Pontes et al. 2010, Melo 2012); Mustela africana (doninha-amazônica) (Emmons & Helgen 2016) e Potos flavus (jupará) (Helgen et al. 2016) nas unidades de conservação da Amazônia. No Cerrado, há registros de Galictis cuja (furão-pequeno) no PARNA Serra do Cipó (Oliveira et al. 2009) e de Lycalopex vetulus (raposa-do-campo) na ESEC Serra Geral do Tocantins (Carmignotto & Aires 2011) e, na Mata Atlântica, Conepatus chinga (zorrilho) no PARNA Iguaçu (Cáceres 2004). Contudo, estes táxons ainda não foram registrados pelo Monitora.

Para os marsupiais, ordem Didelphimorphia, majoritariamente de hábitos noturnos e de pequeno porte, foram consideradas apenas algumas espécies maiores do gênero Didelphis. Essa observação também se aplica aos roedores, ordem Rodentia, em que famílias inteiras com representantes muito pequenos não foram consideradas, tais como Cricetidae, Dinomydae e Echimyidae. Em relação aos tatus, ordem Cingulata, não foram registrados Dasypus septemcinctus (tatu-galinha-pequeno), Dasypus beniensis (tatu-e-quinze-quilos), Euphractus sexcinctus (tatupeba) e Cabassous tatouay (tatu-de-rabo-mole-grande), espécies com ampla distribuição (Feijó et al. 2018, Abba et al. 2014, Rocha et al. 2022).

Uma importante contribuição do Programa Monitora é o registro e dados de abundância das espécies de primatas ameaçados de extinção. Com relação aos táxons categorizados como Criticamente em Perigo (CR) Cebus kaapori (cairara) e Chiropotes satanas (cuxiú-preto), o esforço de monitoramento deve ser intensificado a fim de gerar dados robustos sobre a abundância na REBIO do Gurupi. Essa unidade de conservação é extremamente importante para conservação dessas espécies de primatas (Lopes & Ferrari 2000, Buss et al. 2017), uma vez que Cebus kaapori é uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo (Buss et al. 2022).

Muitas das espécies ausentes têm hábitos noturnos e apresentam baixa detectabilidade pelo método utilizado, voltado a animais diurnos. Apesar de transectos lineares noturnos poderem aumentar a detecção de espécies não diurnas, pode haver pouco benefício nessa abordagem em razão de problemas como a falta de visibilidade, dificuldade de movimentar-se em silêncio pela trilha e dificuldade de discernir auditivamente os animais em movimentação (Munari et al. 2011). Assim, o protocolo avançado com armadilhas fotográficas ainda é a melhor opção para a amostragem de algumas espécies raras e/ou de hábitos noturnos (Munari et al. 2011).

Estudos na Amazônia usando transectos lineares registraram taxas de avistamento variando de dois a 20 mamíferos/10km: de 4,1 a 5,08 na ESEC Maracá (M. 1994, Mourthé 2013, Mendes Pontes 2004) e 7,62 no PARNA Viruá (Melo 2012), ambos em Roraima; 5,5 na região do rio Urucu, no Amazonas (Santos & Mendes-Oliveira 2012); 3,42 na RDS Uacari, Amazonas (Munari et al. 2011: exceto primatas); de 6,37 a 8,3 na região do baixo rio Purus (Haugaasen & Peres 2005); 6,77 na REBIO Gurupi, no Pará (Lopes & Ferrari 2000); de 7,65 a 15,82 na ESEC Terra do Meio, no Pará (apenas registros diretos: Ponce-Martins et al. 2022, Andrade et al. 2019); 20 na Amazônia Equatoriana (Zapata-Ríos et al. 2006); 5,92 na Amazônia Peruana (Torres-Oyarce et al. 2018). Tais valores são muito semelhantes aos encontrados nas unidades amostradas no Programa Monitora. Em outras regiões tropicais, como por exempl, a Costa Rica, foram registradas taxas de 7 a 35 avistamentos/10km (Carrillo et al. 2000).

Já para a Mata Atlântica, em 62 estudos realizados em diversas fitofisionomias usando transectos lineares (Souza et al. 2019) a taxa de avistamentos/10km variou de 0,01 a 7,29, com uma mediana de 0,47 indivíduos. Esses valores são condizentes com os resultados do Programa Monitora e retratam a reduzida taxa de encontro com mamíferos, em comparação ao bioma Amazônia.

No Cerrado, as taxas de avistamento de mamíferos também foram, no geral, menores se comparadas com as da Amazônia, embora a ESEC de Pirapitinga tenha apresentado uma taxa bem superior às demais do bioma, com um valor comparável ao das unidades de conservação amazônicas. Esse resultado corrobora alguns estudos no Cerrado que apresentaram taxas também bem distintas: 0,5 avistamentos na Bahia (Bocchiglieri et al. 2010); 9,71 no PARNA da Serra do Cipó (Oliveira et al. 2009); e 16,92 em Minas Gerais (Alves 2010).

Embora marcados pela ausência de registros importantes (Taoniscus nanus - codorna-carapé - no Cerrado, Aburria jacutinga - jacutinga - na Mata Atlântica e Crax f. pinima - mutum-pinima - na Amazônia), a despeito do esforço amostral considerável, os resultados parecem apontar para uma estabilidade demográfica no período considerado (2014-2022), inclusive para os táxons ameaçados.

Sobre a taxa de avistamento total de aves na Amazônia, os resultados para as unidades de conservação do Programa apresentaram em sua maioria valores superiores ao observado para as florestas do Lago Uauaçú, no baixo Purús, uma região de “água preta”, caracterizada pela baixa produtividade, mas com baixa pressão de caça, ainda que não seja uma área protegida (Haugaasen & Peres 2008). Nesta região, a partir de um esforço de 4.612,45km, superior ao de qualquer unidade de conservação participante do Programa Monitora, distribuídos nos ambientes de floresta de terra firme, várzea e igapó, foi obtida uma taxa de 2,7 aves/10km percorridos para o conjunto comum de táxons de aves. Na ESEC da Terra do Meio, unidade com a maior abundância de aves, no Monitora este valor foi superior a 10 encontros para o conjunto de aves das espécies alvo por 10km percorridos, o que pode ser entendido como um indicativo de que o grupo de aves alvo apresenta nas unidades de conservação, de forma geral, uma maior abundância. Já a frequência relativa de Crax e Pauxi (mutuns) foi muito semelhante entre este estudo (25%) e aos maiores valores observados nas unidades de conservação participantes do Programa (25,4%) (Haugaasen & Peres 2008).

É importante destacar que muitas espécies da fauna brasileira não possuem densidades populacionais e/ou taxas de avistamento descritas na literatura e, portanto, os dados obtidos pelo Monitora possibilitarão a construção desta linha de base de dados que servirá de subsídio, inclusive, para avaliação do risco de extinção das espécies.

Proporcionar registros de ocorrência e estimativas de abundância para algumas espécies com insuficiência de dados (DDs), a exemplo dos cervídeos apresentados como destaques neste relatório, será determinante para possibilitar eventual recategorização desses táxons nos próximos ciclos de avaliação do risco de extinção de espécies brasileiras. Isso porque M. nemorivaga é considerada um complexo de espécies crípticas ainda por serem descritas e que necessita de pesquisas relacionadas a sua distribuição (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio 2024). Alguns autores já sugerem que essa espécie deva ser um novo gênero monofilético em que Passalites nemorivagus é a espécie tipo (Morales-Donoso et al. 2023). Já M. americana, de forma semelhante, é considerada uma superespécie em que novas espécies poderão no futuro ser descritas (Salviano et al. 2017), o que dificulta a sua avaliação.

Poucas iniciativas de monitoramento abrangem mais de um bioma. O Programa Monitora, em seu Componente Florestal, se propôs a coletar dados no Cerrado, na Mata Atlântica e na Amazônia. Um grande desafio para as unidades de conservação e para o Programa é a continuidade na execução dos protocolos, com coletas anuais contínuas e esforço amostral estável ao longo dos anos. Embora, pelos motivos apresentados neste relatório, os dados para o Cerrado e Mata Atlântica ainda sejam limitados, para algumas unidades de conservação da Amazônia já foi possível obter resultados confiáveis acerca da riqueza, composição e abundância das espécies-alvo e do estado de conservação dessas áreas.


5.4 Recomendações



  • Consolidar a implantação do protocolo básico de mamíferos terrestres de médio e grande porte e aves terrícolas cinegéticas naquelas unidades de conservação ainda não consolidadas, de forma que as UCs contem com pelo menos três estações amostrais implantadas em operação;

  • Manter a continuidade das amostragens após o seu início, evitando interrupções na série temporal;

  • Assegurar que, durante as campanhas de campo, as amostragens sejam realizadas de acordo com as diretrizes estabelecidas no protocolo amostral e no projeto de amostragem, em especial quanto ao respeito ao esforço amostral;

  • Assegurar que os dados coletados sejam repassados à COMOB de acordo com as orientações definidas pela Coordenação e num prazo razoável após a realização da campanha de campo;

  • Para novas unidades de conservação a participarem do Programa, promover a implantação de todas as unidades amostrais em um mesmo ano;

  • As unidades amostrais do Protocolo Básico, em uma determinada unidade de conservação, devem ser instaladas em um mesmo interflúvio, considerando que em diferentes interflúvios podemos ter diferentes comunidades animais. Sugere-se seguir essa mesma recomendação para amostragem em blocos de unidades de conservação;

  • Garantir que o método seja aplicado sem erros de procedimento, como por exemplo, assegurar que apenas duas pessoas realizem a amostragem em campo, em velocidade adequada respeitando os horários estipulados para início e fim das amostragens e registrando corretamente todos os dados, principalmente, as medidas das distâncias dos registros em relação à trilha.


Sobre a última recomendação acima, cabe salientar que uma análise possível e esperada para os dados obtidos pelo método empregado é a geração de quantitativos populacionais a partir da estimativa da densidade de grupos ou indivíduos. Esta estimativa seria fruto da taxa de encontro e das distâncias perpendiculares entre o grupo ou indivíduo e a transecção, mensuradas em cada avistamento. Contudo, em análises prévias não apresentadas nesse documento foram observados alguns vícios de amostragem que podem comprometer ou tornar as estimativas de densidade menos precisas. Destacamos o efeito spyke (número desproporcional de registros sobre a transecção) e o efeito de arredondamento das mensurações (tendência de as medidas serem atribuídas à valores arredondados como 10, 15 ou 20m) nos dados obtidos de modo generalizado.


painel do relatorio

5.5 Referências

Abba, A. M.; E. Lima & M. Superina. 2014. Euphractus sexcinctus. The IUCN Red List of Threatened Species 2014: e.T8306A47441708. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2014-1.RLTS.T8306A47441708.en.
Abreu-Júnior, E. F. de; P. G. de G. Brennand & A. R. Percequillo. 2017. Diversidade de mamíferos do baixo Rio Jufari, Roraima, Brasil. Papéis Avulsos de Zoologia 57:37–55.
Alves, G. B. 2010. Mamíferos de médio e grande porte em fragmentos de Cerrado na Fazenda Experimental do Glória (Uberlândia, MG). Master’s thesis. Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG.
Alves, S. L. 2013. Efeitos do tipo de floresta e da estrutura de habitat em assembleias de primatas no Sudoeste da Amazônia. Master’s thesis. Universidade Federal do Pará/Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, PA.
Andrade, R. P. de; R. Salm; I. França & E. J. Hernández-Ruz. 2019. Accessibility do not explain abundance of medium and large-sized mammals in Terra do Meio, Altamira, Pará, Brazil. Acta Zoológica Mexicana (N.S.) 35:1–10.
Auger‐Méthé, M.; K. Newman; D. Cole; F. Empacher; R. Gryba; A. A. King; V. Leos‐Barajas; J. M. Flemming; A. Nielsen; G. Petris & L. Thomas. 2021. A guide to state–space modeling of ecological time series. Ecological Monographs 91.
Bocchiglieri, A.; A. F. Mendonça & R. P. B. Henriques. 2010. Composição e diversidade de mamíferos de médio e grande porte no Cerrado do Brasil central. Biota Neotropica 10:169–176.
Borges, L. H. M. 2014. Abundância de Mamíferos de Médio e Grande Porte em Resposta ao Grau de Distanciamento do Rio Chandless, Parque Estadual Chandless, Acre. Master’s thesis. Universidade Federal do Acre. Rio Branco, AC.
Brasil. 2022. Portaria Ministério do Meio Ameinte - MMA nº 148.
Buckland, S. T.; A. E. Magurran; R. E. Green & R. M. Fewster. 2005. Monitoring change in biodiversity through composite indices. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences 360:243–254.
Buckland, S. T.; A. C. Studeny; A. E. Magurran; J. B. Illian & S. E. Newson. 2011. The geometric mean of relative abundance indices: A biodiversity measure with a difference. Ecosphere 2:art100.
Buss, G.; T. S. Cardoso; H. Queiroz; A. C. M. Oliveira; F. R. Melo & L. Jerusalinsky. 2022. Ka’apor Capuchin Cebus kaapori Queiroz, 1992. Pages 107–109. IUCN SSC Primate Specialist Group, International Primatological Society. Washington, DC.
Buss, G.; M. S. Fialho; L. Jerusalinsky; R. B. Azevedo; Alves. S. L.; M. D. Vidal & E. N. Mendonça. 2017. Abundância e densidade de primatas na Reserva Biológica do Gurupi, Maranhão, Brasil. Biodiversidade Brasileira 7.
Cáceres, N. C. 2004. Occurrence of Conepatus chinga (Molina) (Mammalia, Carnivora, Mustelidae) and other terrestrial mammals in the Serra do Mar, Paraná, Brazil. Revista Brasileira de Zoologia 21:577–579.
Calouro, A. M. 1999. Riqueza de mamíferos de grande e médio porte do Parque Nacional da Serra do Divisor (Acre, Brasil). Revista Brasileira de Zoologia 16:195–213.
Carmignotto, A. P. & C. C. Aires. 2011. Mamíferos não voadores (Mammalia) da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins. Biota Neotropica 11:313–328.
Carrillo, E.; G. Wong & A. D. Cuarón. 2000. Monitoring mammal populations in Costa Rican protected areas under different hunting restrictions. Conservation Biology 14:1580–1591.
Daskalova, G. N.; I. H. Myers-Smith & J. L. Godlee. 2020. Rare and common vertebrates span a wide spectrum of population trends. Nature Communications 11:4394.
Emmons, L. & K. Helgen. 2016. Mustela africana. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T14025A45200982. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T14025A45200982.en.
Feijó, A.; B. D. Patterson & P. Cordeiro-Estrela. 2018. Taxonomic revision of the long-nosed armadillos, genus dasypus linnaeus, 1758 (mammalia, cingulata). PLOS ONE 13:e0195084.
Ferrari, S. F.; L. Sena; M. P. C. Schneider & J. S. S. Júnior. 2010. Rondon’s Marmoset, Mico rondoni sp. n., from Southwestern Brazilian Amazonia. Int. J. Primatol. 31:693–714.
Green, E. J.; L. McRae; R. Freeman; M. B. J. Harfoot; S. L. L. Hill; W. Baldwin-Cantello & W. D. Simonson. 2019. Below the canopy: Global trends in forest vertebrate populations and their drivers.
Haugaasen, T. & C. A. Peres. 2005. Mammal assemblage structure in Amazonian flooded and unflooded forests. Journal of Tropical Ecology 21:133–145.
Haugaasen, T. & C. A. Peres. 2008. Population abundance and biomass of large-bodied birds in Amazonian flooded and unflooded forests. Bird Conservation International 18:87–101.
Helgen, K.; R. Kays & J. Schipper. 2016. Potos flavus. The IUCN Red List of Threatened Species 2016: e.T41679A45215631. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T41679A45215631.en.
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. 2024. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE. https://salve.icmbio.gov.br/#/.
Konstant, W. R. & A. B. Rylands. 2013. Species accounts of ateles. Pages 536–542 Handbook of the Mammals of the World. Lynx Edicions. Barcelona.
Lopes, M. A. & S. F. Ferrari. 2000. Effects of human colonization on the abundance and diversity of mammals in eastern Brazilian Amazonia. Conservation Biology 14:1658–1665.
M., P. A. R. 1994. Enviromental determinants of primate abundance in Maracá island, Roraima, Brazilian Amazonia. Master’s thesis. University of Cambridge. Cambridge, UK.
Martins, B. A. S. B. 2010. Caracterização da comunidade de mamíferos de médio e grande porte em área ecotonal da Amazônia Sul-Ocidental. Monografia.
Melo, E. R. A. 2012. O impacto da caça sobre a comunidade de mamíferos de médio e grande porte em novo paraíso, Roraima, norte da Amazônia brasileira. Master’s thesis. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE.
Mendes Pontes, A. R. 2004. Ecology of a community of mammals in a seasonally dry forest in Roraima, Brazilian Amazon. Mammalian Biology 69:319–336.
Morales-Donoso, J. A.; G. Q. Vacari; A. M. Bernegossi; E. D. P. Sandoval; P. H. F. Peres; D. J. Galindo; B. de Thoisy; M. Vozdova; S. Kubickova & J. M. Barbanti Duarte. 2023. Revalidation of Passalites Gloger, 1841 for the Amazon brown brocket deer P. nemorivagus (Cuvier, 1817) (Mammalia, Artiodactyla, Cervidae). ZooKeys 1167:241–264.
Morse, S. S.; J. A. K. Mazet; M. Woolhouse; C. R. Parrish; D. Carroll; W. B. Karesh; C. Zambrana-Torrelio; W. I. Lipkin & P. Daszak. 2012. Prediction and prevention of the next pandemic zoonosis. The Lancet 380:1956–1965.
Mourthé, Í. 2013. How much effort should be employed for surveying a low-diversity Amazonian mammal assemblage using line-transects? Zoologia (Curitiba) 30:119–124.
Munari, D. P.; C. Keller & E. M. Venticinque. 2011. An evaluation of field techniques for monitoring terrestrial mammal populations in Amazonia. Mammalian Biology 76:401–408.
Oliveira, V. B.; E. M. V. C. Câmara & L. C. Oliveira. 2009. Composição e caracterização da mastofauna de médio e grande porte do Parque Nacional da Serra do Cipó, Minas Gerais, Brasil. Mastozoología Neotropical 16:355–364.
Pinheiro, L. V. S.; G. A. Leite; C. Martinez; G. Gonsioroski; S. Pereira; H. R. Silva de Melo; F. Arantes; P. Vieira Cerqueira; R. D. Melinski; A. Oliveira; A. A. Abreu Bovo; F. M. Guedes Las-Casas; L. Guimarães Carvalho; A. E. B. A. Sousa & F. K. Ubaid. 2024. Aves da Reserva Biológica do Gurupi: implementação de protocolo avançado de monitoramento e atualizações. Biodivers. Bras. 14:71–104.
Pires, M. M. & M. Galetti. 2023. Beyond the “empty forest”: The defaunation syndromes of Neotropical forests in the Anthropocene. Global Ecology and Conservation 41:e02362.
Ponce-Martins, M.; C. K. Manos Lopes; E. A. R. Carvalho-Jr; F. M. R. Castro; M. J. de Paula & J. C. Brito Pezzuti. 2022. Assessing the contribution of local experts in monitoring Neotropical vertebrates with camera traps, linear transects and track and sign surveys in the Amazon. Perspectives in Ecology and Conservation 20:303–313.
Pontes, A. R. M.; V. M. G. Layme; W. E. Magnusson & L. C. Marigo. 2010. Mamíferos de médio e grande porte de Roraima, extremo norte da Amazônia brasileira. Pages 603–629 Roraima: Homem, ambiente e ecologia. Femact. Boa Bista, RR.
Redford, K. H. 1992. The empty forest. BioScience 42:412–422.
Rocha, E. C.; J. Silva; D. P. Silva; F. G. Lemos & M. C. de Castro. 2022. Distribution of the greater naked-tailed armadillo Cabassous tatouay (Desmarest, 1804) in South America, with new records and species distribution modeling. Studies on Neotropical Fauna and Environment:1–9.
Salviano, M. B.; M. S. Cursino; E. dos S. Zanetti; V. V. Abril & J. M. B. Duarte. 2017. Intraspecific chromosome polymorphisms can lead to reproductive isolation and speciation: An example in red brocket deer (mazama americana). Biology of Reproduction 96:1279–1287.
Santos, F. da S. & A. C. Mendes-Oliveira. 2012. Diversidade de mamíferos de médio e grande porte da região do rio Urucu, Amazonas, Brasil. Biota Neotropica 12:282–291.
Souza, Y.; F. Gonçalves; L. Lautenschlager; P. Akkawi; C. Mendes; M. M. Carvalho; R. S. Bovendorp; H. Fernandes‐Ferreira; C. Rosa; M. E. Graipel; N. Peroni; J. J. Cherem; J. A. Bogoni; C. R. Brocardo; J. Miranda; L. Zago da Silva; G. Melo; N. Cáceres; J. Sponchiado; M. C. Ribeiro & M. Galetti. 2019. Atlantic mammals: A data set of assemblages of medium‐ and large‐sized mammals of the Atlantic Forest of South America. Ecology 100.
Torres-Oyarce, L.; C. Bardales-Alvites; E. Tirado-Herrera & M. Antúnez-Correa. 2018. Estado de las poblaciones de mamíferos en la Reserva Nacional Matsés, al noreste de la Amazonía Peruana. Folia Amazónica 26:153–160.
Van Strien, M. J.; D. Keller & R. Holderegger. 2012. A new analytical approach to landscape genetic modelling: Least‐cost transect analysis and linear mixed models. Molecular Ecology 21:4010–4023.
Zapata-Ríos, G.; E. Araguillin & J. P. Jorgenson. 2006. Caracterización de la comunidad de mamíferos no voladores en las estribaciones orientales de la Cordillera del Kutukú, Amazonía Ecuatoriana. Mastozoología Neotropical 13:227–238.

  1. Para efeito de análise, a RESEX do Rio Iriri e a ESEC da Terra do Meio foram tratadas como um bloco, de forma que os dados das duas UCs foram analisados de forma integrada. Portanto, ao longo desse capítulo os resultados apresentados para a ESEC Terra do Meio na verdade expressam os dados das duas UCs, sendo então considerado um total de 52 UCs nos resultados apresentados↩︎

  2. Táxons são as categorias hierárquicas usadas no sistema de nomenclatura zoológica↩︎

  3. Considerou-se aqui como população um conjunto de indivíduos de um táxon em uma determinada unidade de conservação.↩︎